Dani Mattos & Toque de Bambas lançam seu primeiro EP no Aniversário de SP

19 janeiro 2019 |



O álbum presta homenagem a esses compositores que retrataram a vida na capital paulista durante o século XX e, com seus sambas e poesias, deram protagonismo a população mais simples.  Escutar as suas composições é também passear por São Paulo e por suas histórias

Dani Mattos & Toque de Bambas lançam seu primeiro EP Cronistas da Cidade pelo selo 7 Melódica.  O lançamento será no aniversário de São Paulo, 25 de janeiro, às 23h,  no Bar Al Janiah, no tradicional  bairro do Bixiga, em São Paulo.
O álbum, que leva o nome de um dos projetos da cantora, traz no repertório as músicas “Mulher, Patrão e Cachaça”, de Adoniran Barbosa e Osvaldo Moles; “Juízo Final” e “José”, de Paulo Vanzolini. Além de diálogos cômicos criados por Adoniran e Osvaldo Moles para as típicas personagens das novelas de rádio.  E o poema  “Os homes que Deus qué Bem”, de Paulo Vanzolini.
Adoniran Barbosa e Paulo Vanzolini foram cantores, compositores, cronistas de seu tempo que construíram um grande enredo sobre São Paulo, mostrando as transformações da cidade e protagonizando, em seus sambas, a população simples da Terra da Garoa.
“A ideia do EP, além de homenagear esses mestres, é salientar suas diversas manifestações no campo da música e da arte. Adoniran antes mesmo de ser conhecido como compositor e cantor foi ator de rádio novelas. E Vanzolini  um grande poeta, inclusive com livro publicado”, explica a cantora e pesquisadora Dani Mattos.
Durante as pesquisas para a realização do EP Cronistas da Cidade, a cantora Dani Mattos conversou com a filha de Vanzolini, Maria Eugênia, que cedeu os direitos do poema “Os homes que Deus qué Bem”. A obra faz parte do livro “Tempo de Cabo”, de Paulo Vanzolini, com ilustrações de Aldemir Martins. O livro conta histórias da boemia na região central de São Paulo e foi escrito por Vanzolini quando serviu no Exército.


EP Cronistas da Cidade traz Dani Mattos (voz e direção artística), Iuri Salvagnini (coro e acordeon), Tito Longo (coro, cavaquinho e direção musical), Marcelinho Monserrat (violão 7 cordas), Koka Pereira (percussão), Renato Farias (Trombone), Marcos Brito (baixo elétrico), Euclydes Rocco (locução) e Branca de Oliveira (arte).

Sobre Dani Mattos

Música sempre deu trabalho para Dani Mattos, e ela adora isso. A cantora, regente e pesquisadora paulistana cresceu ouvindo, estudando e mexendo com música, principalmente MPB, Jazz  e Música Erudita.
Sua vasta lista de projetos atesta  sua visão de que "música é integração social".  Entre os projetos que a levam para os palcos estão: Cronistas da Cidade (que deu nome ao seu primeiro EP); A Época de Ouro da MPB no Rádio, uma visão feminina; Le Savoir Vivre Francês e Brasileiro Une Enchantement Mutuel (Noite Francesa); Caymmi, as várias personas de um artista brasileiro; Vinícius, o poeta amador e  Villa Lobos para Todos. Além de criar o coral Poucas e Boas, do qual é regente há quinze anos.
Cada uma de suas empreitadas envereda por um gênero diferente, com um traço em comum: a vontade de saber. "Gosto muito de pesquisar músicas antigas e inseri-las num contexto histórico para compreender como era a sociedade da época em questão”, diz ela.
Dani Mattos é formada em regência e Educação Artística pela Faculdade de Música Santa Helena, estudou na Escola Municipal de Música, no Conservatório Musical Brooklin Paulista e na escola experimental do SESC.
Sobre Al Aljaniah

O Al Janiah é um espaço político e cultural, com um bar e restaurante de culinária árabe no bairro do Bixiga (São Paulo) onde arte, cultura, música e cinema se expressam criticamente por meio de eventos, cursos, peças teatrais, lançamentos de livros, exibições de filmes e exposições fotográficas. Tudo isso envolto pelos deliciosos sabores e aromas das bebidas e comidas da casa.

Show de lançamento do   EP “Cronistas da Cidade” Participam : Dani Mattos (vocal), Tito Longo(vocal e cavaquinho), Edu Batata (vocal), Tiganá Macedo (percussão) , koka Pereira(percussão)  e Marcos Brito (baixo acústico).
Local:  Bar e restaurante Al Janiah
Horário do Show: 23h
Entrada: R$ 10 - Aceita cartões de débito e crédito de todas as bandeiras.
Endereço: Rua Rui Barbosa, 269, Bixiga – SP
Estacionamento conveniado: em frente ao Al Janiah  R$10
Lotação: 650 pessoas para acompanhar o show e 350 pessoas em mesas
Contatos:
Instagran:  @danimmattos    @7melodica
Site Dani Mattos: http://danimattos.com.br
Site do Bar e Restaurante Al Janiah: https://www.aljaniah.com.br/ 

Foto1: Dani Mattos no Terraço Itália
Foto: Jaiel Prado
Foto2: Capa do EP “Cronistas da Cidade”
Foto e Arte: Branca de Oliveira


Zé Guilherme lança novo videoclipe com faixa de seu álbum 'Alumia'

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Após lançar, em 2015, um disco em homenagem ao “cantor das multidões”, o artista deixa de lado o viés confortável de ser somente intérprete e lança o quarto disco Alumia, que traz repertório de músicas autorais em sua maioria.

Zé Guilherme assina letra e melodia das composições “Alumia”, “Teus Passos” e “Canção de Você”. As letras são frutos de seus poemas. E “as melodias nasceram intuitivamente, pois não sou instrumentista”, afirma. Ele ainda divide a autoria de “Espelho” com Luis Felipe Gama, de “Ave Solitária” e “Teu Cheiro” com Cris Aflalo, de “Laço” com Marcelo Quintanilha e de “Oferendas” com Cezinha Oliveira, que é o produtor musical e arranjador do álbum. Completando o repertório, Luis Felipe, Quintanilha e Cezinha aparecem novamente como autores de “Franqueza”, “A Voz do Rio” e “Cesta Básica”, respectivamente, ao lado do baiano Péri, compositor de “Clarão” e “Paixão Elétrica”.


Alumia registra o momento de amadurecimento artístico de Zé Guilherme. Não só pelo fato de ele se mostrar também como compositor, mas pela própria trajetória musical. O primeiro CD, Recipiente (Lua Discos, 2000), com arranjos de Swami Jr., apresentava sua origem nordestina e sua música universal brasileira em um trabalho com a força da raiz e do pop brasileiro. Seis anos depois, o disco Tempo ao Tempo chega com uma linguagem pop mais contemporânea nos arranjos de Serginho R. O terceiro CD viaja no tempo e o artista faz um pouso na época mais romântica da música brasileira com Abre a Janela – Zé Guilherme Canta Orlando Silva, trabalho que também tem produção musical e arranjos de Cezinha Oliveira.

O novo CD faz um sobrevoo por todos esses caminhos para apresentar a MPB de Zé Guilherme, agora mais romântica, que envereda por uma sonoridade acústica mais jazzística. “Os arranjos trazem como unidade estética a sonoridade característica do piano, executado de forma primorosa por Jonas Dantas (também no acordeon), e do baixo acústico, tocado por Johnny Frateschi”, justifica o produtor musical. É possível perceber que todas as músicas se harmonizam como células sonoras dentro da estrutura musical do disco. Os demais instrumentos que aparecem são: bateria e percussão (por Adriano Busko), violão e guitarra (por Cezinha Oliveira) e sopros (por Walter Pinheiro). “Esse trabalho pode ser considerado uma declaração de amor, amor a outras pessoas e à minha própria vida”, confessa o intérprete.


Assista o videoclipe: https://youtu.be/vBJhocSuuNg

Lançamento/CD: Alumia
Artista: Zé Guilherme
Selo: Independente / Distribuição: Tratore
Preço sugerido: R$ 25,00

Foto1: Divulgação
Foto2: Alessandra Fratus



Marlon lançará primeiro single da carreira solo

18 janeiro 2019 |


Na próxima terça-feira (22), o cantor Marlon lançará a música “Faz Tempo”. 

O single mostra um lado mais pop e moderno do cantor, sem perder a essência e o romantismo do sertanejo. 
A canção que é de composição e produção de Marlon, fala sobre uma mulher guerreira, forte e independente, que passa por diversas fases, sorri, chora, sofre e se entrega, quem a descreve é um homem que conhece todos os seus detalhes e já a admira e é apaixonado por ela FAZ TEMPO. A música estará disponível para ser ouvida em todas as plataformas digitais, a partir de 22 de janeiro. 
Acompanhe a carreira do Marlon pelo Instagram @marloncantor
Foto: John Edgar 



Após passar pela higienização anual do acervo, a Casa - Museu reabre no dia 25 de janeiro para visitas livres e mediadas.  No feriado de Aniversário de São Paulo haverá Caminhada Fotográfica pelo Jardim Europa e o público poderá conferir a Exposição de Porcelanas da Coleção de Ema Klabin que foi prorrogada até março.  Entrada franca.

A Casa-Museu Ema Klabin, no Jardim Europa, reabre ao público no dia 25 de janeiro (sexta-feira) com visitas ao acervo e uma rica programação cultural.  O espaço reúne mais de 1.500 obras, entre pinturas do russo Marc Chagall e do holandês Frans Post, dos modernistas brasileiros Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Portinari e Lasar Segal; talhas do mineiro Mestre Valentim, mobiliário de época, peças arqueológicas e decorativas.
Além de conhecer o acervo permanente, o público poderá conferir a Exposição de Porcelanas da Coleção de Ema Klabin que, devido ao sucesso, retorna na abertura do museu e será prorrogada até o dia 31 de março. Com curadoria do arquiteto Paulo de Freitas Costa, a mostra apresenta 39 peças raras das manufaturas de Sèvres, Berlim, Viena, Meissen, Limoges, Coalport, entre outras. E traça um panorama histórico da porcelana, revelando sobre o espírito de uma época, seus hábitos e costumes.
Programação Especial no Aniversário de São Paulo:
No dia 25, a partir das 14h, a Casa-Museu oferece uma Caminhada Fotográfica pelo bairro do Jardim Europa. A ideia é que os participantes registrem características desse tradicional bairro paulistano pensando sua relação com o desenvolvimento da cidade. A inscrição é gratuita e está aberta no site. É necessário levar uma câmera que pode ser a do celular.
O aniversário de São Paulo também é uma data especial para a Casa-Museu Ema Klabin. Se fosse viva, a mecenas e colecionadora Ema Klabin completaria 112 anos.
Casa-Museu Ema Klabin - Reabertura:  25 de janeiro
Programação especial de Aniversário de São Paulo-  Caminhada fotográfica:   dia 25/01, das 14h30 às 16h30, 20 vagas, gratuita, inscrição no site www.emaklabin.org.br   
Visitas mediadas à Fundação Ema Klabin - De quarta a domingo, das 14h às 17h, com permanência até às 18h. As visitas duram em média uma hora. Preço: Sábados, domingos e feriados: entrada franca. De quarta a sexta: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia). 
Exposição de Porcelanas da Coleção de Ema Klabin: De 25/01 a 31/03De quarta a domingo, das 14h às 17h, com permanência até às 18h. Preço: sábados, domingos e feriados a entrada é  franca. De quarta a sexta: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia).
Livre
EndereçoRua Portugal, 43, Jardim Europa, São Paulo. Telefone (11) 3897-3232
Foto: Divulgação


Feira de Livros com preços populares em Búzios

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Realizada pela ABL Livros, com apoio da Prefeitura de Búzios, está acontecendo desde o dia 14 de janeiro e vai até o dia 14 de fevereiro  uma feira de vendas de livros a preços populares na Praça Santos Dumont, centro. 

São diferentes títulos e gêneros literários: biografias, ficção, poesia, romances e contos. Também muita variedade de livros infantis, revistas e gibis. 

Preços a partir de R$5,00 e ainda algumas promoções para levar mais de um titulo. 

Foto: Divulgação

Ex-BBB Vanessa Mesquita revela rotina de estudos no Canadá

16 janeiro 2019 |



Vanessa Mesquita está em Vancouver no Canadá estudando inglês. A ex-BBB deve ficar 2 meses no país aperfeiçoando o idioma. Todo o planejamento da viajem foi feito pela Boreal Trip Intercâmbio. 
"Todos os dias acordo as entre 5 e 6 da manhã para ir para academia e depois para a Global College onde fico parte do meu dia. fiz amigos do Japão e da Coreia. Estou amando tudo, meus professores são incríveis"  -  Afirma Vanessa.
Os amigos de classe descobriram pelas redes sociais que a loira é famosa no Brasil, e virou um burburinho na escola, ainda mais ao saberem que é estudante de medicina veterinária e ex-participante do Big Brother. 
"Acredito que 2019 será um ano de muitas realizações e conquistas na minha vida, to iniciando um ano cheia de novidade e com nova equipe de trabalho. Agora tenho a Michele Farid, empresária artística que cuida da minha carreira e o Leonardo Almeida que faz a assessoria de imprensa".
Acompanhe a moça pelo seu Instagram: @vanmesquita
Foto: Divulgação



A Companhia de Teatro Heliópolis estreia sua nova montagem, (IN)JUSTIÇA, no dia 25 de janeiro, sexta, na Casa de Teatro Maria José de Carvalho (sede do grupo), às 20 horas. A encenação é dirigida por Miguel Rocha, fundador e diretor do grupo; e Evill Rebouças assina o texto que foi criado em processo colaborativo com a Companhia.

(IN)JUSTIÇA é um ensaio cênico, guiado pela indagação ‘o que os veredictos não revelam?’, que reflete sobre aspectos do sistema jurídico brasileiro. Para tanto, conta a história do jovem Cerol que, involuntariamente, pratica um crime. A partir daí, surgem diversas concepções sobre o que é justiça, seja a praticada pelo judiciário ou aquela sentenciada pela sociedade.

Permeado por imagens-sínteses (característica da Companhia de Teatro Heliópolis) e explorando a performance corporal, o espetáculo coloca em cena a complexidade da justiça no país, deixando a plateia na posição de júri em um tribunal. O embate entre os dois lados da justiça - da vítima e do criminoso - se estabelece em um jogo contundente que expõe com originalidade a crua realidade dos jovens pobres e negros. A música ao vivo confere ainda mais densidade poética ao ‘relato’, que foge de qualquer abordagem clichê.

A história de Cerol é contada de forma não linear. Exímio empinador de pipas, ele vive com sua avó, pois a mãe morreu no parto e o pai, assassinado. Depois de uma briga por conta do alto volume da música na vizinhança, Cerol foge e acaba disparando involuntariamente um tiro em uma mulher, que morre em seguida. Ele acaba preso e é submetido ao julgamento da lei e da sociedade.

Com base nesse argumento, a Companhia de Teatro Heliópolis discute direitos humanos à luz da Constituição Nacional. A encenação recupera também a ancestralidade brasileira em passagens ritualísticas. “Queremos pensar o homem negro e a justiça, desde a nossa origem até os dias de hoje”, afirma o diretor Miguel Rocha.

Cenas impactantes e desconcertantes surpreendem todo o tempo. A encenação de Miguel Rocha, alinhavada pela dramaturgia de Evill Rebouças, mostra como a democracia pode ser manipulada. O crime versus a vítima ou o criminoso versus a justiça aparecem de forma não superficial nem previsível. A abordagem de (IN)JUSTIÇA parte do ponto de vista mais íntimo para aquele mais coletivo: da comunidade para a sociedade, da moral pessoal às convenções sociais. Isso permite, igualmente, as leituras de um mesmo caso jurídico, como no julgamento - defesa e promotoria -, onde ambos os discursos são tão contundentes quanto convincentes. “Para falar de justiça, temos que falar das relações humanas contraditórias, pois a justiça se apresenta pelas contradições”, reflete o diretor.

Permeado por emoções e sensações que fogem da obviedade, o espetáculo tem quadros coreografados que trazem o respiro necessário à dinâmica da encenação: cidadãos urbanos, policiais, advogados com suas togas desfilam pela área cênica e hipnotizam o espectador. Os depoimentos inseridos nas cenas humanizam e tornam crível a proposta da montagem, sejam eles densos, desconcertantes, ou mesmo lúdicos. Segundo o diretor, os três pontos de vista sobre justiça – “o pessoal, o divina e o do homem” – são considerados na concepção de (IN)JUSTIÇA, bem como a máxima que diz “só quem passou por uma injustiça sabe o que é justiça”.

O cenário (Marcelo Denny) situa a força da ancestralidade, presente na terra e no terreiro, na força fria do zinco, na estética religiosa que foge dos estereótipos. Traz também o símbolo da lentidão da justiça com toda sua burocracia em pilhas e pilhas de papéis e processos. Elementos como areia, terra, projéteis de bala e pipas compõem a área de encenação, onde predomina a cor cinza. A trilha (de Meno Del Picchia) e os efeitos sonoros são executados em sincronismo com as cenas. Os atores interpretam cantos de tradição que reforçam a busca pela humanização e pela ancestralidade propostas pelo espetáculo.

(IN)JUSTIÇA nasceu de um longo processo criativo, iniciado em fevereiro de 2018, disparado por encontros dos integrantes da Companhia de Teatro Heliópolis com pensadores ativistas que falaram sobre os vários aspectos da Justiça. Os convidados foram Viviane Mosé (filósofa), Gustavo Roberto Costa (promotor de justiça), Ana Lúcia Pastore (antropóloga) e Cristiano Burlan (cineasta), tendo Maria Fernanda Vomero (provocadora cênica, jornalista e pesquisadora teatral) como mediadora.

O espetáculo integra o projeto Justiça - O que os Vereditos Não Revelam, contemplado pela 31ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo.

Uma reflexão sobre o espetáculo

Durante o processo de pesquisa do projeto anterior da Companhia de Teatro Heliópolis, Microviolências e Suas Naturalizações, contemplado pela 28ª edição do Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, o grupo se debruçou sobre as pequenas violências do dia a dia, naturalizadas pelo hábito e mantenedoras de uma opressão quase sempre silenciosa. Constataram que as lideranças do tráfico em Heliópolis exercem sua autoridade, entre outros métodos, por meio dessas pequenas violências e as perpetuam em prol de um ‘bem-estar’ local. Constataram então que o poder paralelo na favela, de certa forma, reproduz a lógica punitivista do Estado e sua cargarepressiva. O crime organizado classifica os ‘limpos’, em relação aos ‘infratores’, tal como acontece na sociedade brasileira, ao aderir à divisão entre ‘cidadãos de bem’ e ‘bandidos’. Miguel Rocha explica que no tribunal do crime, o lema é: ‘aqui ninguém te julga, quem te julga são seus atos’. “E assim, como moradores de Heliópolis, acostumamo-nos a viver sob o domínio desta ‘justiça’ que nunca falha. Não falha?”, reflete o encenador.

Fora dos limites da favela, a seletividade da justiça oficial recai sobre esses mesmos moradores. O diretor completa: “A maioria da população de Heliópolis é jovem, negra, pobre e migrante; justamente o segmento mais criminalizado pelo sistema penal brasileiro. Costuma-se dizer que essa justiça também não falha, será que não falha?”.

Instigados pelo fenômeno da judicialização da vida social e política, em consonância com a crescente criminalização de indivíduos ou movimentos outrora tidos como opositores ou transgressores, a Companhia busca, por meio do espetáculo (IN)JUSTIÇA, compreender a fundo o que significa justiça e examinar, na cena, suas representações, seus mecanismos e seus rituais. “Temos constatado a gradual desmoralização da ideia de justiça em contraposição ao veloz recrudescimento das posições em favor de um senso de justiça, refletido na sede por ‘justiçamento’, ou seja, por vingança ou punição”, declara Miguel. Ele diz que, no Brasil, justiça parece ser um valor que serve apenas a uma pequena parcela da população e lhe assegura privilégios e blindagem, minando totalmente a viabilidade de um Estado que garanta equidade de direitos e do estabelecimento de uma sociedade em que todos usufruam de possibilidades iguais.

Ficha técnica

Encenação: Miguel RochaTexto: Evill Rebouças (criação em processo colaborativo com a Cia de Teatro Heliópolis)Elenco: Alex Mendes, Cícero Junior, Dalma Régia, Danyel Freitas, David Guimarães, Gustavo Rocha, Karlla Queiroz e Walmir Bess. Cenografia/instalação: Marcelo DennyAssistência de cenografia: Denise FujimotoFigurino: Samara CostaIluminação: Fagner Lourenço e Miguel RochaDireção musical: Meno Del PicchiaOficina de voz: Bel BorgesOficina de canto: Luciano Mendes de JesusMúsicos: Amanda Abá (violoncelo e violino), Bel Borges (violão e percussão) e Fernanda Broggi (percussão). Provocação teórica e prática: Maria Fernanda VomeroProvocação / teatro épico: Alexandre MateProvocação / teatro performático: Marcelo DennyDireção de movimento: Lúcia Kakazu e Miguel RochaPreparação corporal: Lúcia KakazuCoreografia: Camila Bronizeski, Lucia Kakazu e Miguel RochaOficina de dança: Camila BronizeskiOficina de mímica: Thiago CuimarOperação de luz: Fagner Lourenço e Viviane SantosOperação de som e sonoplastia: Giovani BressaninMesas de debates: Viviane Mosé, Gustavo Roberto Costa, Ana Lúcia Pastore e Cristiano BurlanMediadora/debates: Maria Fernanda VomeroComentador convidado: Bruno Paes MansoOrganização de textos do programa: Maria Fernanda VomeroDireção de produção: Dalma RégiaProdução executiva: Elaine Vital MarcianoFotos: Caroline Ferreira e Donizete BomfimDesign gráfico: Camila TeixeiraAssessoria de imprensa: Eliane VerbenaRealização: Companhia de Teatro HeliópolisApoio: 31ª Edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo.

Espetáculo: (IN)JUSTIÇA
Estreia: 25 de janeiro, sexta, às 20 horas
Temporada: 25 de janeiro a 19 de maio
Horários: sextas e sábados (às 20h) e domingos (às 19 horas)
Ingressos: Pague quanto puder (bilheteria: 1h antes das sessões)
Duração: 90 minutos. Gênero: Experimental / Ensaio cênico. Classificação: 14 anos

Casa de Teatro Maria José de Carvalho
Rua Silva Bueno, 1533. Ipiranga/SP. Tel: (11) 2060-0318
Capacidade: 60 lugares. Não possui acessibilidade. Não possui estacionamento.

Foto: Divulgação