Dedicada, compromissada e, há anos, leva seu trabalho na Educação como um emblema em seu peito. Estes são, apenas, alguns quesitos da professora Danielle Corrêa. Atualmente, como Secretária Municipal de Educação de São Pedro da Aldeia, avança, com garra e intrepidez, os projetos e as atividades no município, que integra o grupo de cidades da Região dos Lagos do Rio de Janeiro. Prova disso foi a nota 6,0 do município conquistada no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) em 2025 – fruto de um trabalho motivador da Danielle e sua equipe que coordena as atividades pedagógica, dando suporte direto aos docentes.
Ela conversou com o CULTURA VIVA e falou sobre o aprendizado dos alunos, o papel da escola em parceria com o papel da família e expôs a realidade de um trabalho intenso desenvolvido no município, mas que se orgulha dos frutos que vem colhendo e dos que ainda colherá das sementes que plantam todos os dias, coletivamente. Acompanhe!
C.ULTURA VIVA: No momento, a senhora está atuando na área educacional no município de São Pedro da Aldeia. Como tem sido este desafio?
DANIELLE CORRÊA: Estar à frente da Secretaria Municipal de Educação de São Pedro da Aldeia é, ao mesmo tempo, uma grande responsabilidade e uma realização profissional. Eu sou professora concursada da rede municipal e conheço a nossa realidade educacional de perto. Antes de assumir a Secretaria, atuei na própria SEMED, na coordenação de Políticas Pedagógicas, na coordenação de programas federais e, também, na área de avaliação, acompanhando o SAEB. Hoje, temos uma rede com 43 unidades escolares e, aproximadamente, 14,4 mil estudantes. Isso significa lidar diariamente com realidades muito diferentes, desde as questões pedagógicas até infraestrutura, pessoal, transporte, alimentação, inclusão e gestão escolar. O maior desafio é justamente fazer com que todas essas áreas caminhem juntas e tenham como centro o nosso estudante. E acredito que temos avançado porque estamos trabalhando muito próximos das escolas e dos profissionais. Desde que assumi, sempre procurei reforçar que a SEMED não pode estar distante da escola. Precisamos estar presentes, ouvir, identificar os problemas e construir soluções coletivamente.
C.V.: Qual sua análise sobre o andamento dos trabalhos da Educação em São Pedro da Aldeia?
D.C.: Eu faço uma avaliação muito positiva, mas sempre com os pés no chão. Temos avanços importantes, tanto na parte pedagógica quanto na estrutura e na organização da rede, mas sabemos que ainda temos muitos desafios pela frente. O que considero muito importante é que estamos construindo uma política educacional que não olha apenas para um resultado isolado. Estamos trabalhando formação dos profissionais, acompanhamento da aprendizagem, recomposição das aprendizagens, inclusão, avaliação, programas educacionais, melhoria dos espaços escolares e fortalecimento da gestão. Também estamos avançando no planejamento de longo prazo. Em 2026, por exemplo, iniciamos o processo de construção do novo Plano Municipal de Educação, que vai orientar as políticas educacionais do município para o período de 2027 a 2037, com participação de diferentes segmentos da sociedade. Então, vejo a Educação de São Pedro da Aldeia em um processo de crescimento, com uma equipe comprometida e com muita coisa sendo construída. O resultado aparece, mas ele é consequência de um trabalho contínuo e em conjunto com toda a comunidade escolar.
A criação da Comissão Gestora do PME 2027-2037 foi formalizada pela Portaria SEMED nº 017/2026, assinada por mim.
C.V.: E o rendimento dos alunos está de acordo com o planejado?
D.C.: Os resultados mostram que estamos no caminho certo. O IDEB é uma das evidências mais importantes desse avanço, mas não é o único indicador que acompanhamos. Nosso objetivo não é simplesmente melhorar uma nota. Queremos que o estudante realmente aprenda, desenvolva suas habilidades e tenha condições de avançar em sua trajetória escolar. Por isso, trabalhamos com acompanhamento pedagógico, avaliação, identificação das dificuldades e intervenções ao longo do processo. A aprendizagem precisa ser acompanhada durante todo o ano, e não apenas quando chega o momento de uma avaliação externa. Os resultados que estamos alcançando nos mostram que as estratégias adotadas estão produzindo efeitos, mas também nos apontam onde precisamos avançar ainda mais.
C.V.: Recentemente, seu trabalho teve um reconhecimento público através das excelentes notas que tirou no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). Como foi ter mais esta conquista?
D.C.: Foi um momento de muita alegria, mas principalmente de reconhecimento pelo trabalho de toda a rede. São Pedro avançou, e muito! O município alcançou IDEB 6,0, saindo de 5,3 em 2023. Quando olhamos para esse crescimento, precisamos entender que por trás de uma nota existem milhares de estudantes, professores, diretores, equipes pedagógicas e profissionais de apoio trabalhando diariamente. O resultado do SAEB/IDEB 2025 mostra que, mesmo diante de grandes desafios e de uma realidade financeira bastante diferente de outros municípios da região, nossa Educação está avançando.
Também tivemos resultados muito expressivos em nossas unidades escolares. A Escola Municipal Flonete Alexandrino da Silva alcançou 7,0, nos Anos Iniciais, e a Escola Municipal Lucinda Franciscone de Medeiros alcançou 5,7, nos Anos Finais. Esses resultados nos deixam muito felizes porque demonstram que o trabalho realizado dentro das escolas está fazendo diferença. E existe um detalhe que torna essa conquista ainda mais significativa: São Pedro da Aldeia está entre os municípios da região com os menores repasses de royalties, muito abaixo de cidades vizinhas. Isso não diminui a importância dos recursos — pelo contrário. Recurso faz diferença e é fundamental para garantir melhores condições de ensino. Mas os números mostram que, mesmo com limitações, existe algo que dinheiro sozinho não compra: compromisso, trabalho, união e dedicação de quem faz a Educação acontecer todos os dias. Eu recebo esse resultado com muita gratidão, mas não como ponto de chegada. Para mim, uma boa avaliação aumenta ainda mais a nossa responsabilidade. Agora precisamos olhar para esses resultados, entender o que deu certo e fazer com que as boas práticas possam alcançar cada vez mais estudantes da nossa rede.
C.V.: Conseguir uma nota boa no IDEB não é fácil. Criou alguma estratégia específica?
D.C.: Não existe uma única estratégia capaz de explicar um resultado como esse. O que existe é trabalho, acompanhamento e planejamento. Uma das nossas preocupações foi aproximar ainda mais a Secretaria das unidades escolares. Precisamos conhecer a realidade de cada escola, identificar as dificuldades e apoiar as equipes na construção das soluções. Também trabalhamos com acompanhamento dos resultados das avaliações, identificação das habilidades que precisavam ser fortalecidas, disponibilização de materiais de apoio e ações pedagógicas direcionadas. Outro ponto fundamental foi a recomposição das aprendizagens. Precisávamos entender que muitos estudantes ainda apresentavam lacunas e que não seria possível simplesmente seguir o currículo sem olhar para essas necessidades.
C.V.: E o preparo dos docentes foi difícil?
D.C.: Foi um processo de muito diálogo e construção coletiva. Não acredito em uma estratégia que seja simplesmente imposta de cima para baixo. Tivemos conversas com os professores para identificar problemas, ouvir as dificuldades e pensar nos ajustes necessários. Também estivemos nas unidades escolares, acompanhando de perto o trabalho, promovendo diálogos e, em alguns momentos, realizando aulas de demonstração para apresentar possibilidades de abordagem dos conteúdos. Outro ponto importante foi a disponibilização de materiais de apoio para auxiliar o professor no planejamento e na prática pedagógica. O professor precisa se sentir apoiado. Ele está na ponta, dentro da sala de aula, e conhece o estudante como ninguém. Então, nosso papel enquanto Secretaria é oferecer formação, ferramentas, acompanhamento e condições para que esse profissional consiga desenvolver seu trabalho da melhor maneira possível.
A valorização dos profissionais aparece também nas ações públicas da Secretaria, que tem promovido formações, colóquios e iniciativas de reconhecimento dos servidores da rede, conforme divulgado em nosso site oficial da prefeitura: https://pmspa.rj.gov.br/
C.V.: Em sua opinião, os pais dos alunos têm atuado em parceria com a escola ou jogam toda a responsabilidade sobre a instituição?
D.C.: Eu acredito que a maioria das famílias quer o melhor para seus filhos e reconhece a importância da escola. O que precisamos fortalecer cada vez mais é a parceria entre família e escola. A escola tem uma responsabilidade enorme, mas ela não consegue fazer tudo sozinha. Quando família e escola caminham na mesma direção, o estudante percebe que existe uma rede de adultos preocupados com seu desenvolvimento. Também precisamos compreender que cada família tem uma realidade diferente. Por isso, o diálogo é fundamental. Em vez de procurar culpados, precisamos procurar caminhos. Quando a família acompanha a frequência, observa as atividades, conversa com a criança ou adolescente sobre a escola, participa das reuniões e mantém diálogo com os profissionais, ela está contribuindo diretamente para a aprendizagem. Porque quando existe propósito, trabalho e união, os resultados aparecem.
C.V.: Trocando em miúdos, qual seria a parte da escola e a parte dos responsáveis na melhor construção possível do aprendizado do aluno?
D.C.: Eu diria que a escola tem a responsabilidade de garantir o ensino com qualidade: professores preparados, planejamento, acompanhamento da aprendizagem, acolhimento, avaliação, intervenções pedagógicas e um ambiente adequado para que o estudante aprenda. Já a família tem um papel fundamental naquilo que acontece fora dos muros da escola: acompanhar a vida escolar, estabelecer uma rotina, incentivar a leitura e os estudos, acompanhar a frequência, conversar com os filhos e manter uma relação próxima com a escola. Mas não vejo isso como uma divisão rígida de responsabilidades. É uma parceria. A escola ensina, orienta e acompanha. A família educa, incentiva, acompanha e fortalece aquilo que é trabalhado. Quando essas duas partes se unem, quem ganha é o estudante.
C.V.: Em 2027 as férias escolares do meio do ano serão de 31 dias. Quais são os prós e os contras disso?
D.C.: Uma mudança no calendário escolar sempre precisa ser analisada considerando os estudantes, os profissionais da Educação, as famílias e a própria organização da rede. Um período maior de férias no meio do ano pode trazer benefícios, principalmente por proporcionar aos estudantes e profissionais um tempo maior de descanso e recuperação. Para o professor, que tem uma rotina bastante intensa, esse intervalo também pode contribuir para retornar ao segundo semestre com mais disposição. Por outro lado, precisamos ter cuidado com a interrupção do processo de aprendizagem, principalmente entre os estudantes que apresentam maiores dificuldades. Quanto maior o período sem contato com as atividades escolares, maior pode ser a necessidade de retomada dos conteúdos e das habilidades no retorno. Por isso, o planejamento do calendário precisa considerar não apenas a quantidade de dias de férias, mas a organização de todo o ano letivo. Precisamos garantir os dias letivos, preservar o direito ao descanso dos profissionais e, ao mesmo tempo, assegurar que os estudantes tenham continuidade no processo de aprendizagem. O mais importante é que qualquer mudança seja planejada e acompanhada pedagogicamente, para que o calendário esteja a serviço da aprendizagem.
C.V.: Quais são as suas redes sociais?
D.C.: Instagram/Facebook: @danielle.correa.7
Foto1: Arquivo Pessoal de Danielle Corrêa
Foto2: Divulgação
Foto3: Arquivo Pessoal de Danielle Corrêa
Foto4: Arquivo Pessoal de Danielle Corrêa




