Mostrando postagens com marcador Crítica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Crítica. Mostrar todas as postagens



A Exposição “Tá certo ou não tá? Centenário do Carequinha” no Sesc São Gonçalo reflete como existem bons artistas nesse país. Como esquecer um Palhaço que revolucionou a arte nativa e levou, com os recursos que tinha, alegria sincera a centenas de crianças e famílias? Numa época em que professores e dezenas de outras classes trabalhadoras não são valorizadas, o Palhaço ainda sofre muito mais. Ontem à tarde quem estava sendo atendido na Secretaria do Sesc São Gonçalo pode ouvir algumas crianças rindo e uma moça contando histórias de longe. Era que, no piso acima, havia e exposição e, ao lado, dentro da programação do Centenário, estava a Palhaça Couve-flor fazendo a festa com crianças e pais presentes. Contudo, a sala era para estar transbordando de pessoas. E não estava. Eram poucas. Mas, a ausência de muita gente não impediu os momentos felizes que a artista promoveu aos espectadores. Aquelas crianças registraram e vão levar a lembrança para suas histórias de vida. Guardadas na lembrança de uma Palhaça que as fez sorrir. Não há valor nesse mundo que pague essa preciosidade!

Assim foi a carreira do Palhaço Carequinha traduzida ali, nas paredes, no chão, na tela da TV exposta, enfim, em todo ambiente.


Até a canção “o bom menino não faz pipi na cama...” regravada pela dupla Patati Patatá no DVD “Coletânea de Sucessos” estava lá, harmonizando o ambiente.

Pelo valor da mostra, deveria estar numa sala no térreo, onde todos que entrassem no Sesc olhassem e tivessem a curiosidade de dar uma espiadinha. E iriam se emocionar. Aliás, a exposição é emocionante e traz uma saudade especial: daquela infância onde criança era criança e aproveitava sua infância sem fronteiras.


Portanto, quem visitar a Exposição “Tá certo ou não tá? Centenário do Carequinha” vai levar para casa a certeza de que a vida é bem mais feliz quando se tem um Palhaço por perto e, como um dos melhores e maiores artistas, jamais deve ser esquecido.

Respeitável público, Viva Carequinha!

Exposição “Tá certo ou não tá? Centenário do Carequinha”
Observação: A Palhaça Couve-flor se apresenta novamente no dia 14 de novembro, às 15h
Até o dia 29 de novembro, de terça a domingo, das 9 às 17h
Sesc São Gonçalo
Endereço: Av. Presidente Kennedy, 755 - Estrela do Norte
Tels.: (21) 2712-2342 / 2712-3192
Classificação Livre.
Grátis.


Fotos: Divulgação

“Pedro e o lobo”: bom gosto nas cores e na condução da ideia central

25 outubro 2015 |


O que falar sobre o espetáculo “Pedro e o lobo”? Como julgar crianças? Elas não são passíveis de julgamentos, são livres para criar, inventar e reinventar conforme um prisma natural, embrulhado com um papel especial onde as cores, a magia e a fantasia são mestras condutoras de uma viagem que faz pensar, se divertir e aprender lições que servem para a vida toda.

Como a peça possui bonecos manipulados por adultos, vamos analisar. Acertaram na forma de exibir cores simples que, a partir de um efeito de luz especial, não confunde a visão e dá para separar bem os personagens do cenário... Flores, árvores, adereços utilizados pelos personagens. A Companhia Imago – responsável pelo espetáculo – soube selecionar bem os atos da peça, todos demarcados de forma a facilitar o entendimento dos pequeninos. Inclusive, na apresentação de ontem, dia 24 de outubro, tinha criança que reclamava com os pais por sentir medo ao ver o “lobo”. Encontra-se aqui um ponto-chave. Funcionou. O “lobo” que só tem vida pela excelente manipulação com leveza e boa técnica dos atores envolvidos, conseguiu cumprir seu papel: assustar.


Sem falar no personagem “Pedro”, um charme, uma graça de bom menino aventureiro, esperto e defensor da natureza. Ele muito se assemelha ao “Pedrinho” de “O Sítio do Pica Pau Amarelo”.

A trilha sonora conduz às crianças à música clássica... Bom gosto e qualidade, embora se percebe, em alguns momentos, elevação um pouco exagerada para um público tão iniciante numa sala de teatro.


Enfim, a fusão do sofisticado Teatro Folha, no interior do Shopping Higienópolis, bairro nobre de São Paulo, à competência da Companhia Imago unida a toda produção, faz de “Pedro e o lobo” – um espetáculo que já é premiado – algo para registrar a infância de muita gente que vai levar a serenidade do “Pedro” para resolver seus problemas na vida adulta. Aliás, que não tarda vir. Nota mil para o espetáculo!

***Na Foto1, o jornalista Edson Soares na entrada do Teatro Folha, no interior do Shopping Higienópolis, em São Paulo

Foto: Divulgação

Foto2: Divulgação


Três jovens talentos leva uma platéia inteira às gargalhadas. O espetáculo “Um certo machão” com apresentações nos fins de semana no Teatro Ruth Escobar, em São Paulo, permite que novos talentos provem que vão além do que até então fazem na mídia. Com um elenco formado apenas com três artistas, Rick Carvalho - repórter do programa “Mulheres” da TV Gazeta; Rita Ferreira e Soraya Zaffarani  – que integram o elenco de “A Praça é nossa”, no SBT, são o bastante para fazer da história contada algo para rir e refletir.


Ao passo que a trama se desenrola a partir do falecimento do tio do advogado “Gil” (Rick Carvalho) que, por não ter sido pai, deixou uma herança de R$ 10 milhões para o sobrinho e daí, segue-se uma reviravolta no cotidiano do rapaz. Foi obrigado a interferir os trabalhos em seu escritório para aprender uma exigência cobrada pelo tio, em testamento: o sobrinho só receberá o valor se provar que tem orientação homossexual. Como, se o rapaz não pode ver um “rabo de saia”? Mas, a justiça não precisa saber disso.

Ao tomar conhecimento da herança, a empregada “Marriete” (Rita Ferreira), ignorante de mão cheia, mas rouba a cena o tempo todo pelo bom texto, muito bem amarrado e surpreendente, vira a professora do patrão e vai ensinar, a seu modo, como se comporta um gay, em gênero, número e grau. E deu certo. O rapaz foi até além, surpreendeu a platéia. Quem diria que aquele repórter super machão da TV Gazeta, que a gente olha e pensa assim... “Esse deve ter mais de dez garotas na fila”... Se deslumbraria daquele jeito no palco. Se continuar assim, o garoto vai se tornar um mestre na atuação. Boa entonação de voz, muda de entonação com exímia rapidez e consegue – portando como homem sério ou um rapaz alegre demais – fazer o público chorar de tanto rir. Na verdade, o ator foi uma escolha que deu certo para o papel.

Outra também que arranca suspiros dos machões na arquibancada é a advogada (Soraya Zaffarani) que faz a mediação entre Gil e o testamento de seu tio. Sua atuação se dá de forma tão natural que, em princípio, a personagem engana com porte de uma advogada ética e profissional. Com o andar da carruagem, tudo muda de figura e se revela uma tremenda impostora de olho na grana. Charme e simpatia, misturadas à sensualidade no jogar dos longos cabelos e na exibição das perfeitas pernas que se tornam um adereço a mais no cenário, comprovou que a atriz deve ganhar um espaço maior em “A Praça é nossa” e vai dar o que falar.

Entre as duas atrizes - Rita Ferreira e Soraya Zaffarani - se percebe uma sintonia boa, um feedback fundamental no palco. Unindo o talento duplo ao bom texto, o espetáculo ficou muito bem aramado. Sem exagero, perfeito. Só quem vai assistir, pode comprovar.

Toda essa maestria se deve ao texto do experiente Wilson Coca – ator, diretor, figurinista, bailarino, entre outras facetas mais na arte, enfim, um artista completo – um patrimônio na cultura brasileira que, com seus 61 anos de carreira, ainda presenteia o público com um grupo de atores que esbanjam beleza, simplicidade e simpatia. Ele sabe que é disso que o público urge. Sem falar, falando, obviamente, na direção do Sebastião Apolônio – gigante na direção que consegue refletir, no palco, o cuidado com os suntuosos detalhes de um espetáculo. Coisas de um líder impecável.

Quem ainda não assistiu precisa ir ao Teatro Ruth Escobar, na Bela Vista, em São Paulo, e se divertir, à balde com a montagem de “Um certo machão”. Não dá para se arrepender. Isso é garantido.

A propósito...

A comédia “Um Certo Machão” prorrogou sua temporada até o dia 15 de novembro. Quem imprimir e levar o flyer abaixo pagará apenas R$ 20,00.



***Na Foto1, o jornalista Edson Soares com o ator Rick Carvalho
Foto: Fernando Nunes Fernandes
***Na Foto2, os atores Soraya Zaffarani, Rick Carvalho e Rita Ferreira
Foto2: Divulgação