CENTRO DAS ATENÇÕES – UMA ANÁLISE DO CARNAVAL 2009

23 fevereiro 2009 |


Brilho. Irreverência. Glamour. Alegria sem medida. Esses quatro quesitos, entre muitos outros, fazem parte, do maior espetáculo cultural do mundo, o carnaval. Especificamente, no Rio de janeiro, o “brilho” e o “glamour” são bem acentuados: as escolas de samba gastam milhões para levar ao Sambódromo um desfile de qualidade, deixar o público e os jurados boquiabertos, tudo pelo título de campeã dessa temporada. Contudo, essas agremiações têm um trabalho pesado para tal apresentação na avenida: pesquisa, organização, samba-enredo, controle do número de componentes, enfim, isso e muito mais em apenas 365 dias. Dá para suar. Quem quiser assistir ao desfile, deve pagar ingresso ou estar credenciado a algum camarote, o que não é tão simples assim. Com isso, grande parte da população fica fora desses privilégios por “n” motivos.
Como resposta, os blocos de rua voltaram a ganhar força. Se há regras entre eles, são mínimas, e até quem mal sabe o nome do bloco, pode se infiltrar em meio aos foliões e desfilar, sem nenhum problema. Neles todos têm a chance de aparecer e brincar da forma que quiser, sem coreografias ensaiadas ou fantasias caras; apresenta aquilo que a imaginação e o bolso combinarem. Mesmo assim, ainda não é obrigatório se fantasiar. Só existe uma ordem: animar.
O próprio “RJ TV” da Rede Globo lançou a coluna “RJ nos Blocos”, onde em algumas concentrações dos mesmos, a produção instalou uma urna eletrônica e os foliões puderam votar em possíveis melhorias no carnaval do Rio. E, assim, os blocos ganham espaço na mídia por adotarem os quesitos “irreverência” e “alegria sem medida”. Conquista.
De uma forma ou de outra, todos se tornam o “centro das atenções”. Ainda que não estejam bem fantasiados, o grito, a forma de sambar e contagiar os demais chama a atenção de quem está de fora, sejam os transeuntes nas calçadas ou as mídias impressa, radiofônica e televisiva. Nessa época, não precisa “pendurar uma melancia no pescoço” para aparecer. Basta se comportar como um folião.
Pena que essa festa toda dura apenas quatro dias. No quinto, todos percebem que a vida continua com seus problemas e desafios. Não dá para ser folião de janeiro a dezembro. A sobrevivência requer mais seriedade, poder de decisão, centramento. Por que a vida não permite ao indivíduo ser (ou estar) feliz todos os dias? Será que é tão difícil a felicidade e o contratempo conviverem juntos? Está na hora de pensarmos num casamento para esses dois... O que acha?

4 comentários:

vera lucia disse...

Oi Edson!
Bom artigo! Texto impecável!
bjs
Vera

Anônimo disse...

Oi Mano!
Artigo rico e empolgante.
Parabéns!
Bjão

Elaine Soares disse...

Oi Mano!
Artigo rico e empolgante.
Parabéns!
Bjão

ALOIR disse...

Caro EDSON SOARES, parabéns por mais este texto ... além de um português castiço e escorreito, vc tem uma concisão e poder de síntese bastante equilibrados, tornando a leitura serena e despertando a curiosidade das próximas linhas até o final. Dom é dom; quem pode, pode; quem não pode, aplaude. Sucesso!