Alcione mistura samba com batuque do Marabaixo e interpreta canções com artistas do Amapá

14 janeiro 2026 |

 


Convidada pelo Governo do Amapá  para lançar um single em parceria com o Estado, Alcione resolveu gravar "Marabaixo: Tradição do Amapá"-  um medley com algumas das canções mais representativas da cultura afro-amapaense. A  escolha da "Marrom" deu-se por sua intensa ligação  e intimidade com os estilos musicais do Norte e Nordeste, sempre presentes em sua discografia. A artista já gravou forró, xote, baião, maracatu e inúmeras toadas de bumba-meu-boi entre os tantos  rítmos das diversas regiões do País.



Somado a isso, a Escola de Samba Mangueira já anunciou que, em 2026, homenageará o Amapá com o enredo "Mestre Sacaca do Encanto Tucuju: o Guardião da Amazônia Negra", que destaca esse curandeiro popular e símbolo da sabedoria ancestral amazônica. Assim, a " negra voz do amanhã" tornou-se a escolha ideal para difundir a cultura amapaense.

 

O Marabaixo: Resistência e Identidade

O "Marabaixo" é uma manifestação cultural afro-brasileira do Amapá, reconhecida pelo IPHAN como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. É uma celebração que funde conhecimentos tradicionais, dança, música, ritos do catolicismo popular e herança africana.Trazida para a Amazônia por negros escravizados, sua origem remonta ao tempo dos porões  surgindo entre o lamento e a resistência. Segundo as narrativas, o nome deriva  de "mar acima, mar abaixo" , expressão que evoca o balanço dos navios negreiros na diáspora dos africanos. 


Nos barracões do Amapá, o Marabaixo é dançado em rodas que giram no sentido anti-horário, com passos arrastados que interpretam a memória dos pés outrora acorrentados. Esta história é vivida com orgulho pelos descendentes de um povo que ressignificou o sofrimento em marca identitária. Hoje, essa herança é uma força cultural e artística que se renova a cada "Ciclo do Marabaixo" - evento que une o sagrado ao comunitário, consolidando-se como símbolo de resistência e potência na arte contemporânea. 


Recentemente, a manifestação ganhou as telas nos  canais Bis e Globonews com o documentário intitulado "Amazônia Negra -: Expedição Amapá", disponível no Globoplay. A obra conta  com a participação de Carlinhos Brown, mestres da cultura afro-amapaense e artistas locais, exibindo o esplendor deste que é o "Patrimônio Cultural do Estado do Amapá". 



O single "Marabaixo": Tradição do Amapá"



O pot-pourri reúne obras de compositores renomados e canções de domínio público. Entre os destaques está Joãozinho Gomes (paraense, radicado no Amapá há três décadas, um dos autores do  samba-enredo da Mangueira 2026). As faixas que compõem o single são Música incidental -  "A beleza da arte que emana" (Enrico Di Miceli/Joãozinho Gomes) e  "Mão de Couro" (Val Milhomem/ Joãozinho Gomes): "Ladrões de Marabaixo" - "Aonde tu vai, rapaz?" (Raimundo Ladislau, de domínio público), "Rosa Branca Açucena" (tradicional, domínio público), "Meu sarrilho é dobrador" (tradicional, domínio público), "Vaca Malhada" (tradicional, domínio público), "No Marabaixo é Assim" (Wendel Uchôa/Marcus Paes), "O Meu Quilombo" (Adelson Preto), "Eu Caio, Eu Caio" (tradicional, domínio público).

 

Com produção musical e arranjos do músico amapaense Alan Gomes, o single traz os efeitos e a percussão autêntica da "caixa de marabaixo"  de Nena Silva, legítimo representante do quilombo do Curiaú. A obra, cujos arranjos foram concebidos no Amapá, ganhou a voz de Alcione em sessão realizada no estúdio Play Record,  no Rio de Janeiro. A direção musical  foi conduzida por Alexandre Menezes em colaboração com Alan Gomes, enquanto a mixagem e a masterização ficaram a cargo de Vanios Marques. O coro dos refrões é composto pela cantora  Silmara Lobato e a voz dos herdeiros dessa tradição se fez presente com a participa&cc edil;ão de Cleane Ramos, Danniela Ramos, Julião do Laguinho e Lorrany Mendes. 



Um Tributo à Amazônia Negra 



Ancestralidade, religiosidade e uma conexão profunda com a arte do Norte brasileiro guiaram este projeto. Ao aceitar o convite, Alcione reafirma seu amor pela pluralidade de um  país miscigenado, ajudando a mostrar que o Amapá é uma referência fundamental da nossa Amazônia Negra - um território de riqueza cultural inesgotável que merece ser reverenciado e celebrado por todos os brasileiros. Este lançamento apresenta-se como um precioso compilado de "ladrões" tradicionais do Amapá. 



* Caixa de Marabaixo - Esse rítmo afro-amapaense é tocado em tambores artesanais, chamadas de caixas de Marabaixo.
* Ladrões de Marabaixo - Como são denominados os versos do Marabaixo. Possui o formato em pergunta e resposta, o versador "rouba" um tema do cotidiano e passa a cantá-lo. 

 

Foto: Matheus Porto


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