Amar o que faz, sacrificando o tempo, a casa, a família, interesses pessoais e, até mesmo a própria saúde, por uma missão: capacitar profissionais que irão, para muito além de suas carreiras, dar vida a dezenas e mais dezenas de personagens que farão parte da história de muita gente. Quanto comprometimento, hein?

 

É, justamente dessa forma, que o Diretor de Elenco Felipe Ventura, 38 anos, respira seus dias frente a um mercado altamente competitivo. Residente no Rio de Janeiro, roda o país inteiro orientando e ponderando artistas que viverão uma mudança de vida radical, a partir, acima de tudo, do querer e das metas estabelecidas por cada um deles.

 

Hoje, Ventura conversou com o CULTURA VIVA e falou, um pouco, do seu cotidiano, que é bem puxado, diga-se de passagem. Acompanhe!

 

CULTURA VIVA: Desde quando trabalha com interpretação para o audiovisual e por que escolheu esse caminho profissional? 

FELIPE VENTURA: Desde 2019, um pouco antes da pandemia começaram a me convidar para ministrar workshops para atores. Confesso que, de 2019 para cá, eu vejo uma evolução drástica na forma de falar, de ensinar, de aconselhar os atores. O amadurecimento faz com que a gente fique mais rico nas informações e consiga passar com clareza tudo que um ator precisa saber na hora de fazer um teste, gravar um monologo... Eu acho que os atores me escolheram para ensinar eles. Nunca tive esse dom de ensinar, de falar. Sempre fui muito tímido, mas tudo foi se encontrando e eu fui ficando confortável em falar com eles e, hoje, quase virou uma segunda profissão. Sempre digo e repetido, não sou professor. Não sou formado em educação, mas o acaso, a vida me transformou e está dando supercerto! Vendo milhares de atores evoluindo com as minhas dicas, pegando testes, trabalhos, crescendo na carreira.

 

C.V.:  Suas aulas são dinâmicas e o senhor ensina como os alunos podem se portar bem no vídeo interpretando um personagem ou um texto. Qual a parte mais difícil neste quesito para um aluno iniciante? 

F.V.: Eles se ouvirem e executarem os pedidos de um profissional que só está ali para ajudar na sua caminhada.

 

C.V.: Durante sua carreira, quantos profissionais já formou, em média? Que feedback tem deles?

F.V.: Não tenho esses números, mas, em 2023 e 2024, eu fui o diretor de elenco que mais deu Workshops e cursos pelo Brasil. Fui para o Nordeste, para Minas Gerais, para São Paulo, para o Sul. Viajei para muitos lugares, com atores talentosíssimos. Eu não posso formar ninguém, eu não ensino a arte de atuar. Eu ensino junto como eles: devem interpretar para o audiovisual, compreender o que o audiovisual quer deles. Então, o meu curso já é para atores que já são formados ou estão em estudo.


 

C.V.: O senhor já participou de trabalhos produzidos para a Disney, a Netflix e com artistas de gabarito na TV e no cinema. A que se deve tanto talento?

F.V.: Amor ao que se faz. Comecei em 2009 sendo assistente de um grande escritório de produção de elenco, que me deu toda minha base e toda minha expertise na profissão. Em 2014, em um processo de audição para a primeira versão de Wicked, em São Paulo, eu fiquei mais de 15 dias direto em São Paulo, longe da minha casa, no Rio, fazendo audições, ajudando na produção de elenco. Eu acordava às 5h e ia dormir às 00h. Teve um dia que comecei a ter uma crise de choro, acumulando cansaço e eu me perguntando: é isso que eu quero realmente para minha vida? E, dali, eu vi que era o que eu queria para sempre.

 

C.V.: Seu trabalho também tem a ver com preparação de elenco?

F.V.: Não. São profissões diferentes. Tem alguns diretores de elenco que fazem preparação, mas eu ainda não surfei por essa área.


 

C.V.: O que é mais tranquilo de interpretar: um personagem para a TV ou um para o cinema?

F.V.: Os dois são iguais, são personagens. A diferença é a forma como você dá vida a ela. Tentando fazer pesquisas sobre o tema, assuntos que ele vai passar ou, apenas, se colocando dentro da situação.

 

C.V.: Além do talento e da força de vontade, o que um interessado deve ter como diferencial para ter bom êxito neste mercado?

F.V.: A paciência. Vão ter muitos “nãos” e poucos “Sins”. Mas, quando começarem as aprovações você vai entender que tudo foi produtivo para o seu processo, que você amadureceu e está pronto para o mercado.

 

C.V.: Algo já te desanimou neste ramo?

F.V.: A falta de empatia com o próximo. Alguns produtores acham que eu tenho que estar do lado deles e não dos atores. Mas, se eu não jogo junto com o ator, que é a minha ferramenta de trabalho, fico sem a minha “matéria prima” para executar o meu trabalho. Então, é um desgaste mais mental do que físico. A gente precisa colocar muita energia e tentar equilibrar esses dois lados para a corda não arrebentar para um lado só. A terapia precisa estar em dia e, às vezes, fazer o papel do terapeuta para ambos entenderem.


 

C.V.: Que dica simples daria a alguém que deseja dar um tom diferente a um personagem que já foi interpretado por outro profissional?

F.V.: Seja você! Não copie, não se espelhe. Leia, entenda e execute.

 

C.V.: Explique como funciona o Curso de Verão.

F.V.: O curso de verão que vou dar na cidade do Rio de Janeiro, no bairro de Botafogo, vai ser um curso totalmente produzido por mim, sem interferências externas de escolas, produtoras, agencias. Quero ir direto ao ponto. Serão aulas muito dinâmicas, onde vamos passar por todos os gêneros principais do audiovisual: Drama, Comédia, Futurista, Suspense, Romance. Serão quatro aulas intensas, mas com o comprometimento de todos saírem felizes.

 

C.V.: Quais são as redes sociais?   

F.V.: www.felipeventura.com.br

www.instagram.com/felipeventura

 

Fotos: Divulgação


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