Brilhar nas artes a partir de raízes adquiridas através emissoras de TV educativas e a partir da leitura e da observação do mundo ao seu redor. Foi, mais ou menos assim, que o ator Roberto Monteiro, 30 anos, deu início ao seu trabalho artístico, chegou e brilhou em muitos palcos, tanto que, hoje, leciona e lança no mercado, regularmente, diversos profissionais na interpretação que ganham o mundo dos personagens que fazem parte da vida de muita gente.
Residente em Santos (SP), Monteiro é, também, Dublador e Jornalista, com trabalhos reconhecidos na praça. Pela bagarem que tem, criou o primeiro curso de Dublagem da Baixada Santista e leciona, tanto de forma presencial, como online.
Hoje, ele concedeu entrevista ao CULTURA VIVA e relatou, um pouco, da arte que constrói a cada dia. Acompanhe!
CULTURA VIVA; Como foi o pontapé inicial na arte da atuação?
Roberto Monteiro: Comecei a ter contato com a arte da atuação, graças à Escola e, analisando desse momento, o canal aberto, a TV Cultura, me influenciou muito positivamente como criança. Lembro-me de estar assistindo aos desenhos, aprendendo matemática com o desenho Cyberchase. Eu imitava as atuações dos atores da "Ilha Ra Tim Bum". Ficava fascinado com a contação do "Baú de Histórias" e do programa "Rá Tim Bum", onde Helen Helene e Arthur Kohl contavam histórias incríveis utilizando objetos extremamente simples, era simplesmente mágico os anos 90/2000. Depois, comecei fazer cursos livres, ver entrevistas, ler livros, consumia todo o tipo de conteúdo. Assistia muitos vídeos de improvisação, dos "Barbixas", naquela época, tem muito conteúdo e insights muito bons na dinâmica daqueles atores. Além, claro, de muitos filmes nacionais e filmes de arte que nos forçam a pensar de formas diferentes. Continuo estudando muito até hoje, inclusive outros conteúdos fora da atuação, como Jornalismo e Psicologia. Todo o conhecimento potencializa o trabalho artístico.
C.V.: Seu talento para as artes vem de família?
R.M.: Uma história curiosa. Meu pai praticava Kung Fu quando era mais jovem e, desde pequeno, adorava assistir e reconhecer as vozes de dublagem brasileira. Minha mãe já me contava que sonhava em ser atriz e psicóloga. E acredito que, de forma inconsciente, criei gosto por todas essas áreas, e hoje, sou professor também de Kung Fu (Wushu, como é chamado na China). Me tornei ator, dublador. Formado em Psicanálise, atualmente cursando a faculdade de Psicologia para aprofundar ainda mais os estudos sobre a mente e o ser humano. Acabei integrando e realizando o desejo deles, de forma inconsciente e por puro gosto pessoal. Esse insight dessa análise só veio de poucos anos para cá. Muito intrigante, né?
C.V.: Já teve passagem pelo Teatro?
R.M.: Com certeza. O Teatro é a base do entendimento da arte da interpretação. Confesso que, no início, não gostava muito, talvez por falta de experiência e entendimento profundo. O cinema era mais atrativo, para mim. Mas, depois de fazer algumas peças e apresentações, alguns anos depois, entendi o poder da comunicação ao vivo e o quanto é poderoso esse encontro humano, ainda mais, nos tempos digitais e individuais que vivemos cada vez mais. É uma contramão ao status-quo.
C.V.: Qual sua opinião quanto à diferença da atuação no Teatro, na TV e na Dublagem?
R.M.: Assim como toda arte, todas bebem de uma mesma fonte. A verdade interpretativa, a representação de conflitos humanos. As áreas da arte, são apenas modos diferentes de representar os mesmos conflitos e dilemas, que os humanos passam em todas as eras da humanidade. É claro que, nesta análise, eu retiro o contexto econômico. Mas, respondendo de uma forma mais técnica e objetiva e, até, simplista.
Podemos dizer que a interpretação do teatro, é algo vivo, irrepetitivel (existe esta palavra? não sei, mas irei abrir uma licença poética... [risos]). Cada apresentação é única e cada troca com a plateia também. Uma sessão, nunca será a mesma. Isso vai dispor de vários fatores, desde a energia dos atores, como a resposta da plateia.
O Cinema, tem o auxílio das lentes, refazer a mesma cena (take) várias e várias vezes, até encontrar a repetição perfeita, desde o olhar, até a luz que bate no rosto do ator. É uma construção idealizada do recorte da realidade, onde o diretor e a câmera guiam o seu olhar para onde ele deseja que você olhe.
Já a Dublagem, considero uma das técnicas mais difíceis de se aprender e executar com verdade e "perfeição". Se pegarmos um filme, como exemplo, onde o ator teve seis meses de preparação, com preparador de elenco, estudo de personagem, pesquisa de sotaque, situação socioeconômica, contexto cultural, desejos e angústias do personagem. Nós, em estúdio, temos apenas um minuto (literalmente), para entender aquele personagem na sua totalidade, e entregar o mesmo trabalho feito em seis meses com todos esses recursos, em apenas um minuto, com toda a verdade, e igualdade de técnicas e qualidade interpretativa, regionando para o Brasil. Criando-se, assim, a versão brasileira e não a "tradução" brasileira (risos). Por isso, é necessário ser um ótimo ator ,e consequentemente, até, em certa medida, um excelente imitador/copiador de outras pessoas. Em seus trejeitos, expressões e ritmos de fala.
C.V.: O senhor deu a voz original ao personagem Dark Shinobi da série Duelo Supremo. Como foi a experiência?
R.M.: Sim! Foi um trabalho de voz original, um de nossos estúdios brasileiros de animação, o Bazilios Studios. O projeto foi dirigido pelo Filipi Bazilio. Achei a ideia muito ousada e muito inspiradora. Criar o primeiro anime brasileiro de card game. A experiência foi muito empolgante, poder criar a voz de um personagem do zero, um garoto adolescente, que, ao mesmo tempo, é um ninja com habilidades sombrias e gritos de ataques intimidantes, foi realmente divertido!
C.V.: Leva quanto tempo para gravar as vozes de um anime como este, por exemplo? Teve alguma dificuldade?
Bom, depende muito de cada projeto. Acredito que, dos episódios que fizemos, demorou cerca de duas a três horas, com possibilidade de outras inflexões para as mesmas falas. Dificuldade, eu diria que não, mas eu sempre tomo muito cuidado para entregar o máximo de verdade, dentro do pensamento do personagem e, também, me atento para não sair da proposta de timbre e tom que criamos para cada personagem, para não descaracterizá-lo.
C.V.: Sua participação na novela A Força do Querer”, na Rede Globo, deu maior visibilidade ao seu trabalho. Fale sobre esta experiência.
R.M.: Ah, foi uma experiência curiosa! Foi algo inesperado (risoso). Na época, eu participava de alguns eventos de anime com o Cosplay do personagem "Goku" de Dragon Ball. Com isso, eu era convidado todos os anos, na cidade de Santos, pelo cinema Cine Roxy, para fazer a pré-estreia de vários filmes do Dragon Ball. Como "Dragon Ball Z - A Batalha dos Deuses"; "Dragon Ball Z: O Renascimento de F"; "Dragon Ball Super: Broly".
Nessa mesma época, a Glória Pires estava escrevendo uma novela sobre os eventos de animes. Alguém me indicou para ela. Então, o produtor dela entrou em contato comigo, solicitando que eu gravasse em uma ilha aqui de Santos, algumas cenas para serem exibidas na novela e alguns materiais que serviriam de auxílio para o ator mirim, Drico Alves.
C.V.: Além do seu talento para a Dublagem, especializou-se para atuar. Por que buscou tanta formação para desenvolver seu talento? Houve cobrança para isto?
Podemos dizer que foi ao contrário (risos). A dublagem é uma especialização da arte da atuação. A atuação é o berço de todas as outras vertentes da arte interpretativa humana. Imagine, no caso da dublagem, como reproduzir o trabalho de um ator, que teve seis meses de preparação, em apenas um minuto, em estúdio, se não formos também, atores? E se não, até, ainda mais estudados que o ator original? Por isso, a dublagem brasileira é considerada umas das melhores do mundo, por muitos estrangeiros e, até mesmo, pelo próprio Walt Disney quando esteve no Brasil, com o seu Herbet Richers.
Sobre a cobrança, havia apenas da minha própria parte em querer executar sempre um trabalho de extrema qualidade. Gosto muito de estudar várias áreas diferentes, desde economia, política, até atuação, nutrição e psicologia. Isso preenche o meu ser e me ajuda a entender mais o mundo ao qual estou me relacionando. Melhorando, consequentemente, cada vez mais minha interação com as outras pessoas, me tornando mais empático e compreensível.
C.V.: O primeiro curso de Dublagem da Baixada Santista foi montado e ministrado pelo senhor. O que acontece no curso? Como é sua demanda?
R.M.: Perfeito! Fui o idealizador do primeiro curso de Dublagem da Baixada Santista. Inicialmente, o meu desejo foi criar um polo de dublagem, também em Santos. Acredito que o primeiro passo para isso seria formar profissionais com níveis altos de qualidade interpretativa e adaptativa. Cheguei a dar aula em três escolas só em Santos, enquanto recebia convite de municípios vizinhos para lecionar.
Infelizmente ou felizmente (risos), minha semana é extremamente corrida, completa de inúmeros compromissos, trabalhos, eventos e estudos. Por isso, precisei abrir mão das aulas presenciais. Neste momento, leciono aulas particulares e aulas em turma, online e ao vivo para todo o Brasil. Tenho alunos de São Paulo até no Acre. Inclusive, temos histórias engraçadas, com os alunos do Acre, pois o fuso-horário é diferente e, às vezes, os horários dos encontros são confudidos (risos)
Sobre o conteúdo do curso, eu tentei reunir o máximo de informações possíveis em um só lugar para transformarmos essas informações em conhecimento, durante todo o curso. Utilizo o método construtivista de ensino, focando no ritmo e no modo de aprendizagem de cada aluno de forma individual, mesmo nas aulas em turma. Acredito que, dessa forma, conseguimos nivelar as dificuldades e potencializar as facilidades de cada aluno.
Também temos, no curso, um grupo de estudos onde os alunos podem interagir diariamente, treinando e consumindo materiais de qualidade, além de participar das nossas lives mensais.
Além das técnicas necessárias para dublagem, como sync, entendimento de ritmo, bi-labiais, fricativas, projeção, adaptação de texto, criação de vozes, etc., também estudos com conteúdos exclusivos, como culturas do mundo, linguagem corporal, microexpressão faciais, comportamento social, respiração, ativação das emoções em seu próprio corpo, uso do diafragma, psicanálise, ângulos e enquadramentos de câmera. E muito mais para você sair preparado para dublar, além de conhecer outras possibilidades do caminho da voz, como: Voz original, localização, Audio Book, Locução Comercial, Audio Drama e muito mais.
C.V.: Quais são suas redes sociais?
R.M.: Atualmente, utilizo o Instagram @roberto._.monteiro ( https://www.instagram.com/roberto._.monteiro/)
Fotos: Divulgação


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